Sabe aquele momento em que a cidade parece parar para te contar uma história em silêncio? É exatamente essa a sensação quando você dobra a esquina da Rua Marechal Hermes, no Centro Cívico, e dá de cara com aquela estrutura monumental que parece flutuar sobre um espelho d’água. O Museu Oscar Niemeyer, ou simplesmente MON para os íntimos, não é apenas um prédio; é um manifesto de concreto e vidro que mudou a forma como Curitiba se enxerga. Muitos turistas chegam aqui focados apenas na “foto do Olho”. E, claro, a estética é arrebatadora. Mas, como alguém que já circulou por aqueles vãos inúmeras vezes, te digo: a alma do lugar está na transição. Niemeyer tinha essa obsessão quase mística pela curva, algo que ele dizia encontrar nas montanhas do Brasil e no corpo da mulher amada.
Em Curitiba, uma cidade conhecida por seu planejamento urbano ortogonal e, às vezes, um tanto rígido, as curvas do MON funcionam como um respiro poético. O museu é dividido em duas partes que dialogam de um jeito curioso. O prédio principal, projetado ainda nos anos 60 para ser um instituto de educação, é mais sóbrio, retangular. Já o “Olho”, inaugurado em 2002, é a explosão da maturidade do mestre. Para chegar lá, você atravessa um túnel subterrâneo que te desconecta do mundo exterior para, de repente, te cuspir dentro de uma torre de vidro inundada pela luz curitibana — que, convenhamos, tem um tom acinzentado único que valoriza cada ângulo da arquitetura.
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Um detalhe que quase ninguém nota de primeira: Se você observar o reflexo nos vidros do anexo, verá a vegetação de araucárias e o céu de Curitiba se misturando às exposições internas. É uma fusão entre o urbanismo e a natureza que define bem o que buscamos oferecer no turismo receptivo por aqui. Não é só levar o visitante até o portão; é explicar que aquele vão livre de 65 metros é um dos maiores do país e que sustentar aquilo tudo em um único pilar central foi um desafio de engenharia que beira o impossível. Para quem está planejando o roteiro, aqui vai uma dica de quem vive o dia a dia da cidade: tente visitar o MON no meio da tarde.
A luz que entra pelo salão principal do Olho por volta das 16h cria sombras geométricas no chão que são o sonho de qualquer fotógrafo. Depois da imersão artística — que costuma ter mostras de design, artes visuais e fotografia de nível internacional —, a regra de ouro é dar a volta no prédio e ir até o “Parcão”. É o gramado atrás do museu onde os curitibanos levam seus cachorros, tomam mate e jogam conversa fora. É onde o museu deixa de ser um monumento e vira quintal.